Oferendas

 

img oferendas 01

Oferendas

 

No início dos nossos trabalhos, nossas oferendas eram feitas como na imagem ao lado e, ao final desse texto.

Para as religiões, o alimento é um forte instrumento ideológico e cultural. Comer é se relacionar. Na maioria das religiões existem regras quanto aos hábitos alimentares dos adeptos, sobre o que comer, o que não comer, quando, onde e como comer. Ser judeu é não comer carne de porco, ser hinduísta é ser vegetariano. Em umas, como no Cristianismo, há o caráter penitenciário de não comer carne em um determinado período do ano; em outras, o alimento tem uma relação direta com o plano etéreo, ou seja, com os espíritos que representam os valores da respectiva crença – como no Candomblé.[i]

Deus é único e não importa se o seu nome é Buda, Zambi, Olorum, ou qualquer outro. Sabedores que Orixás são forças da natureza, energias cósmicas provindas do Criador, estes não bebem e não comem porém, necessitam do Axé (força vital) de alimentos, para que possam interceder por nós nesse plano material.

Respeitamos a filosofia de outras casas, porém, a Mentora nos trouxe a seguinte orientação: “...é chegado o momento de desafricanizar a Umbanda e os filhos se desvencilharem da influência psicológica na troca de materiais, para alcançar favores espirituais.

O homem é imediatista e acredita que através de rituais e entregas, conseguirá alcançar com maior rapidez suas pretensões, porém, esquece que o intercâmbio com o divino é feito através da prece, da pureza de coração e de intenção, porque Deus sabe quais as reais necessidades e o merecimento do pedinte.

Alguns esquecem ainda que de acordo com a intenção do pedido, são espíritos mistificadores que se fazem passar por Orixás da Umbanda ou do Candomblé  e que exigem comidas e bebidas, alguns outros até sacrifícios de animais, com a finalidade de vampirizar esses fluidos. Na realidade são espíritos necessitados de amparo, conforto e esclarecimento. Falamos aqui, de “Oferendas”, algo que presenteamos uma entidade ou Orixá que é dado com amor e profundo respeito. A maior parte das entidades que residem no Astral ou no Umbral, utilizam-se do ectoplasma das matérias em inúmeras situações em prol daquele encarnado de auxílio.

“O seu uso (comidas, bebidas, charutos, ervas...) na Umbanda está sempre ligado aos seus enviados, que são normalmente os caboclos, os pretos velhos e os guardiões. É como se você recebesse em sua casa a visita de alguém que gosta e respeita muito e essa visita, necessita desses materiais para realizar a caridade”.

O que deve ser evitado são os abusos: nossos templos não são botecos, dessa forma deve ser evitado o abuso do álcool, mas nunca devemos recusar a bebida se uma determinada entidade a solicitar e explicar claramente o seu objetivo com a bebida. Mas repetimos: os abusos devem ser evitados a qualquer custo.

 Em relação a bebida por exemplo, a entidade sabe quando deve parar e quanto deve usar de bebida, os excessos sempre partem do médium e nunca da entidade com quem trabalha.

Não há porquê comparecer a um local religioso e sair de lá pior do que quando chegou. Quando isso acontece, a responsabilidade não é da entidade ou da Umbanda e sim, do médium fraco, que fantasia uma situação na qual quer mostrar que seus Guias ou protetores são mais fortes ou superiores que os demais e  por esse motivo saem tontos do trabalho, alegando demandas sobre o terreiro ou sobre seus Guias”. (Núcleo Umbandista São Sebastião).

Você não encontrará aqui "pontos riscados" de entidades, porque consideramos o ponto riscado parte integrante da liturgia da Umbanda e não deve ser profanado. 

Você não encontrará aqui receitas de oferendas, pois somos contra o uso indiscriminado delas. Você encontrará aqui, apenas o significado das palavras “responsabilidade” e “respeito” a Deus, às forças da Natureza e ao nosso próximo!

 

[ii]Os alimentos sagrados”

 

“A prática do Candomblé é toda baseada em comidas”, afirma Janaína Leite de Azevedo, 32 anos, mestranda na UNESP Bauru e autora de seis livros sobre Umbanda e Candomblé. “O alimento é a base do ritual, da oferenda que fazemos aos orixás e outras entidades com as coisas que nós comemos”, explica. Nos templos e terreiros de Candomblé existe uma rica gama de receitas, muito relacionadas à gastronomia brasileira, como o prato Acarajé, que nos rituais é uma oferenda para Iansã.

Janaína explica que o alimento é uma forma material que contém axé, então nos cultos come-se para transmitir o axé às entidades às quais se reza – orixás e espíritos ancestrais (ou Egúnún, espírito que vivenciou a morte). “A palavra axé significa tanto força vital, a que te mantêm nesse plano, como comida, alimento”, conta Janaína. Assim, os ingredientes são os principais elementos do culto, responsáveis por reforçar o axé do praticante tanto como o da entidade, para que aumente seu poder e sua vontade.

Segundo a mestranda, “são três tipos de alimentos. Chamamos de comida seca o que é preparado com farinhas, grãos, frutas e temperos. Tem as bebidas, em especial ootim, que é como chamamos o álcool; e as carnes de animais”. Contudo, o segundo fator mais importante é o modo de preparo, o preceito. Cada entidade tem o seu gosto e os deuses são finos gourmets que não apreciam qualquer coisa. “Tudo se relaciona com a intenção da sua reza e à entidade que você vai fazer a oferenda”, ou seja, específicos pratos com específicos ingredientes para cada divindade. “A comida para Exu é feita com farinha que vem da terra e com alimentos quentes, porque Exu mexe com materialidade, sexualidade, uma energia quente. Para Oxalá, que é um extremo oposto, é um orixá de serenidade, então você serve canjica fria, já que ele mexe com calma, paz, plenitude”.

[iii]Falar da alimentação dentro de um terreiro de culto afro-brasileiro não se torna uma tarefa difícil partindo do princípio que as entidades cultuadas, segundo a crença dos seguidores, andaram pela terra como seres humanos, tornando-se seres divinos após seu desaparecimento e, assim, elementos da natureza, como Oxum relacionada aos rios e Iansã que teria sido transformada em ventos e raios. Dessa forma, pode-se entender o motivo pelo qual a tradição de alimentar essas entidades é tão presente nos cultos de origem africana. Esses seres precisam alimentar-se para terem axé, para realizar os pedidos de seu protegido, seu “filho”.

Embora seja comum aos leigos que se ofereça – arriar - comida aos santos apenas para que estes possam retribuir com alguma graça ao oferecedor, em inúmeras ocasiões o alimento é arriado para agradecer, pedir perdão ou, de forma mais geral, “para fortalecê-los, simbolicamente, de atenção, respeito, reconhecimento, amor e confiança. [1][1]

 



[i] http://reporterunesp.jor.br/comer-com-os-deuses-a-alimentacao-na-religiao-do-candomble/  Repórter Unesp 03/jul/2015

[i][i] .” AMARAL, Rita. A alimentação votiva. História Viva, COMIDA E RELIGIOSIDADE: DOS CULTOS AFRO-BRASILEIROS PARA A HISTÓRIA DA ALIMENTAÇÃO BRASILEIRA. Pedro Henrique Mendes Ribeiro Departamento de História – UFRN religiões: cultos afro, São Paulo, v.6. n. 1, p.68-69, 2007

img oferendas guardioes 02img oferendas guardioes 01

img oferendas orixas

 


 

 

 

Don't have an account yet? Register Now!

Sign in to your account