Capítulo 12 – Reencontrando o pai

Tempo de leitura: 5 minutos

Agora, mais esclarecido sobre o que acontecia com ele, Alencar me surpreendeu, ao pedir que lhe arrumasse um horário antes de completarmos uma semana da última sessão. Disse que o fato era importante demais para esperar e assim foi feito.

No dia agendado, ele chegou com quinze minutos de antecedência e lia um livro enquanto aguardava. Sentou-se e foi logo dizendo:
– Silvia, eu achei um tanto que fantasioso o pedido que me fez na semana passada, para que eu observasse minhas sensações e foi por esse motivo que decidi antecipar o dia e também, para contar-lhe o que está acontecendo em minha casa. Eu pedi que ele me contasse o que aconteceu.

A  gratidão

– Bem, observei várias coisas. A primeira é que a partir do momento que passei a agradecer por tudo o que sou e por tudo o que tenho, inclusive pela minha saúde e passei a fazer minhas preces bem antes de conhecer Da. Elvira, percebi que comecei a dormir melhor e a acordar realmente revigorado.

– Isso é maravilhoso Alencar. Fico muito feliz por você.
– É só o começo Silvia. Aplicando isso, notei que meus pensamentos pararam de me levar ao passado sofrido e traumático e, mesmo quando isso acontecia, eu falava comigo mesmo, isso não é real.

Onde estou com a cabeça? O que está acontecendo agora não é o meu passado, estou no presente, no agora! E ainda, percebi com a terapia, que eu tinha uma grande necessidade de provar ao meu pai que eu não era um desastre como ele dizia e terminei, por tomar a decisão de falar com ele e abri meu coração e ele, me pediu perdão.

O perdão

Cheguei até a ficar preocupado pela idade avançada que ele têm, mas eu precisava dizer pra ele, o quanto foi sofrido pra mim, o seu aparente desprezo e concluí que você estava certa, ele nunca imaginou que suas palavras me fizessem sofrer até hoje, ele disse que só me tratou daquele jeito porque a vida seria dura comigo e não queria que eu sofresse e sim, que eu me superasse diante de qualquer dificuldade.

Quanto ao meu casamento, disse que tinha medo que eu me enroscasse com uma aventureira e por isso, tratou logo de casar-me com uma moça de família, mas hoje, se arrepende porque nunca me sentiu feliz e realizado.

Ouvir aquilo foi como um bálsamo pra minha alma, eu acreditava que ele não me via e não se importava com nada que acontecesse comigo.

Disse também que a morte da minha mãe fez com que ele reavaliasse a vida, porque ela pediu em seus últimos momentos, cuide de nossos frutos e que levou certo tempo, até que ele entendesse que os frutos eram os “filhos”, eu e meu irmão, só que meu irmão caçula, resolveu morar na Irlanda e vem a cada dois anos vê-lo.

Eu nunca consegui entender o porquê do meu irmão ter feito isso, mas meu pai confidenciou-me que após ele separar da minha cunhada, com quem ele escolheu se casar, ele foi morar com outro homem e pensava que meu pai não soubesse.

Mas o velho tem três cuidadoras e uma delas, ensinou-o a mexer no computador e ele achou algumas fotos do meu irmão, esquiando, jantando, na frente de uma casa, em piscina, fazendo compras enfim, sempre acompanhado com o mesmo rapaz, daí ele juntou os pontos.

Ele me disse também que depois que descobriu isso, ligou para meu irmão a uns dois meses atrás e pediu pra que ele voltasse ao Brasil. Disse que se por acaso ele havia se mudado para que ele não descobrisse sua opção sexual, que isso não importava mais, ele continuava a ser seu filho e ainda, que já tinha agendado com minha secretária um jantar de negócios e que quando eu chegasse ao restaurante, o cliente seria ele, a me pedir perdão.

Eu fiquei ali, parado, sem reação e os olhos do meu pai, estavam marejados de lágrimas, sua voz embargada. Eu continuei no silêncio e ouvia tudo com atenção, e ele prosseguiu dizendo:

– Preciso apresentar-lhe uma pessoa Alencar. Tenho uma namorada, falou com um tom envergonhado. Conheci já tem seis meses.
– Mas pai!!! Com a sua idade? E ele retrucou com a mesma voz firme de sempre.

– O que é menino? Tá achando que to morto é? Tenho cuidadora, mas e daí? Elas me ajudam quando eu preciso e cuidam da casa, mas estou muito bem de saúde graças a Deus, tenho só setenta e oito anos. E só vou apresentá-la, porque quero visitar seu irmão na Irlanda e vou levá-la comigo.

– Está bem Sr. Giorgio Alencar Stelovicth, o senhor não pede, manda. Eu sonhei com a mamãe e ela dizia: Viva e deixe viver, agora eu entendo porquê! Ele abaixou os olhos e lágrimas correram pelo seu rosto.

Só conseguimos nos abraçar e chorei convulsivamente, lavando minha alma de toda angústia que carreguei durante todos esses anos. Você estava certa, eu precisava falar com ele, ele não é nem nunca foi médium vidente para saber o que se passava em minha mente e em meu coração. Sou grato.

Eu também me emocionei, porque enquanto ele contava, eu só agradecia ao Criador pela oportunidade de assistir a esse reencontro.

Se você ainda não viu o primeiro episódio, clique aqui:
Constatei também com minha vivência e experiência profissional, que quando decidimos aliviar nossa alma, com a intenção de reparar laços, o Universo conspira sempre a nosso favor.

Você pode se sentir sózinho(a) para essa jornada e é por esse motivo, que caso necessite de ajuda profissional, poderá contar sempre comigo.

E ainda, caso você queira conhecer como ajudei o Alencar nesse processo de auto conhecimento, clique aqui

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Te espero no próximo Artigo! Capítulo 13 – As Andarilhas – Até lá!!

Capítulo 12 – Reencontrando o pai
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2 Comentários


  1. Boa tarde Silvia.
    Não sei como aconteceu, porém lendo os capítulos 11 e 12 sobre o Alencar, senti uma paz imensa, até chorei, eu que estou toda atrapalhada, pois descobri que estou grávida, já perdi um bebê e estou apreensiva, porque quero muito que essa gravidez vá adiante, hoje foi um dia exaustivo, estou tentando não ficar ansiosa, mesmo estando.
    Mas a paz que tive agora lendo esses capítulos, me fez muito bem.
    Muito Obrigada!!!

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    1. Boa tarde Andréa!

      Deus nunca erra, confie em sua bondade e misericórdia.
      Tudo está nas mãos dele e que você tenha uma maravilhosa
      gestação. Forte abraço!

      Responder

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