Capítulo 14 – Reencontro de almas

Tempo de leitura: 5 minutos

A felicidade não atravessa portas fechadas. Foi essa a mensagem que recebi pelo WhatsApp do meu cliente Alencar naquele dia, com um sonoro “bom dia”! Estava atarefada com muito trabalho a ser feito, agenda repleta de atendimentos e não me atentei muito àquela frase.

No horário agendado Alencar chega e pergunta:
– Silvia perdoe-me pela pergunta, mas você tem mais clientes após minha consulta? Olhei surpresa e disse: – Não, hoje eu não tenho porque pergunta?

– É que tenho muita coisa para falar e queria mais meia hora, é possível?
– Sim, é possível não se preocupe, haverá tempo suficiente para tudo. E ele prosseguiu:

– Não sei se você se lembra são tantos clientes, mas na semana passada fui jantar com o meu pai e conhecer sua namorada, companheira, não sei bem o que dizer e sorriu.

– Eu me lembro sim.
– Sabe, ainda estou admirado com os acontecimentos. Cheguei ao restaurante e fui encaminhado, até a mesa que o meu pai estava. Olhei para os lados e ele estava ali sentado e sozinho.

Sentei ao seu lado e perguntei: – Pai, onde está a sua namorada? Ao que ele prontamente respondeu:
– Calma, você está parecendo um noivo no altar. Cumprimente-me primeiro menino, risos.

– É verdade!!  Comecei a rir também e disse que começaria tudo de novo e assim o fiz:  – Pai, tudo bem?
– Perdoe-me é que eu pensei que ela viria com o senhor.

– Ela já está chegando, olha ela lá! E foi se levantando, para ir ao encontro da senhora de cabelos grisalhos, que passava pela hostess que a conduziria até a nossa mesa. Foi quando percebi que a senhora estava acompanhada e quase desmaiei, ao ver quem era a senhora e quem a estava acompanhando.


Meu pai todo sorridente, apresentou-a para mim e disse:

– Essa é minha querida namorada que muito em breve, será minha companheira de vida filho e essa, bem essa, você conhece melhor do que eu.

Confesso que precisei de alguns minutos para me recompor, tamanha a surpresa ao me deparar com Da. Elvira e minha esposa, a Irene, uma ao lado da outra e mais surpreso ainda, por ver que elas vieram juntas.

Não suportando a curiosidade, fui perguntando antes de cumprimentá-las:
– Como vocês se conhecem? Faz tempo? Eu não estou entendendo mais nada.

Irene estava linda como eu nunca a vira, um vestido azul marinho cintilante, aqueles cabelos claros e os olhos verdes pareciam realçar ainda mais sua beleza. Apesar da nossa idade ela ainda mantinha uma jovialidade incomum e eu, não conseguia desviar os olhos dela.

Da. Elvira ao me abraçar disse-me ao ouvido:
– O destino quis que você fosse meu filho, mesmo sem ser do meu sangue. Ao sentar-se ao lado do meu pai, continuou:
– A vida nunca erra.
Há seis meses atrás encontrei seu pai no consultório do meu médico e, como as consultas estavam atrasadas, começamos a conversar e tivemos a impressão que nos conhecíamos há muito tempo.

Trocamos o número de celular e aqui estamos. Meio sem jeito, Alencar perguntou:
Da. Elvira, meu pai sabe…daquilo? Ela sorriu e disse:
– Não só sabe, como frequenta a casa em dias diferentes do seu e ele só descobriu que você a frequentava, porque o viu lá, mas achou melhor não falar nada, para não constrangê-lo. Nesse momento, meu pai disse:

– É filho da mesma forma que Deus operou um milagre em sua vida, também o fez na minha. Frequento as missas porque me sinto bem, gosto das músicas e tornou-se um hábito desde a época da sua mãe. Agora no centro, comecei a me sentir mais próximo de Deus, dessa fagulha divina que aprendi a reconhecer e agradecer, por me acalentar a alma.

Ali, descobri através das orientações do Preto-Velho, que estamos nesta Terra de passagem e que eu jamais poderia dizer “amo a Deus sobre todas as coisas,” se não amasse o seu irmão, que até aquele momento era o meu desgosto. E continuou:

Eu também aproveitei e fui à Paróquia conversar com o Padre, eu ainda tinha muito medo de estar em pecado por ir nesses lugares, mas ele com extrema bondade, me disse:

– Deus está em seu coração e o acompanhará, a qualquer lugar em que o bem e o amor prevaleça filho! Aquilo calou fundo na minha alma e na verdade filho, foi um Preto-Velho quem me aproximou de Deus, das orações, do perdão e da gratidão, como nunca havia acontecido.

Meus olhos se encheram de lágrimas, só consegui apertar as mãos do meu pai e senti, novamente como aquele dia no consultório, quando o ambiente pareceu ficar mais claro. Apenas agradeci aquele momento em silêncio.

O horário encerrara. Teríamos ainda muito o que falar na próxima sessão.

Se você ainda não viu o primeiro episódio, clique aqui:
Constatei também com minha vivência e experiência profissional, que a maldade e o preconceito podem fazer parte da alma humana, mas não de Deus. E caso você se sinta sózinho(a) para essa jornada e necessite de ajuda profissional, poderá contar sempre comigo.

E ainda, se você quiser conhecer como eu ajudei o Alencar nesse processo de auto conhecimento, clique aqui

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Continue acompanhando essa surpreendente trajetória! Te espero no próximo Artigo! Capítulo 15 – Encarando a verdade com ternura – Até lá!!


Capítulo 14 – Reencontro de almas
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