Capítulo 15 – Encarando a verdade com ternura

Tempo de leitura: 6 minutos

Alencar descobriu uma nova forma de viver. Naquele dia em especial, chegou com traje esportivo e era a primeira vez que eu o via, em um dia comum, sem a costumeira formalidade social, terno e gravata.

– Silvia preciso lhe dizer que daqui um mês, ficarei uns vinte dias afastado da terapia, vou viajar com a Irene. Conversamos muito, nos acertamos e decidimos nos dar mais uma oportunidade, talvez, aquela que nunca tivemos.
– Eu fico muito feliz por vocês!

– Aquele dia do jantar, descobri que Da. Elvira era a pessoa a quem Irene ajudava no enxoval dos bebês, crianças internadas em uma instituição por maus tratos. A verdade é que eu nunca dava atenção para o que a Irene dizia, eu fechado no meu mundo, não me importava com o que ela fazia, confiava nela.

Elas se conheceram na Secretaria da Faculdade do meu filho, as duas enfrentaram uma fila para entregar os documentos que faltavam da matrícula dos meninos, do nosso filho e do neto de Da. Elvira e enquanto aguardavam, descobriram a afinidade pela mesma causa. A Irene só descobriu a ligação de Da. Elvira com meu pai e comigo, quando entrou no restaurante e nos viu.

O jantar transcorreu harmonioso, com boas risadas. Notei que a Irene estava feliz ao ver Da. Elvira e meu pai, fazendo planos para a viagem. Ela nunca havia saído do país. Naquela noite, levei meu pai para casa que estava feliz com o jantar e a Irene, levou Da. Elvira.

Me despedi dele e enquanto dirigia para minha casa, estava pensativo, lembrei de você e decidi: – Como diz minha psicóloga, procrastinação é inimiga da ação! Vou falar com a Irene hoje.

 Ao chegar, me surpreendi com Irene sentada em uma das salas, coisa que nunca acontecera antes, saboreando uma taça de vinho e notei duas taças sobre a mesa.  Me aproximei e perguntei:
– Irene, será que podemos conversar um pouco? Ela sorriu e disse:

– Podemos sim, deixei uma taça para você caso queira me acompanhar no vinho. É verdade, precisamos conversar meu marido. Existem coisas inexplicáveis que acredito serem colocadas em nossas vidas, para que possamos rever nossos pensamentos e atos.

Não acredito mais em meras coincidências e tudo o que aconteceu no jantar de hoje, deixou-me pensativa. Por esse motivo, caso você não me chamasse para essa conversa, eu o faria de qualquer forma.

A verdade, é que procurei durante todos esses anos ser uma boa esposa e mãe, porém, descobri que errei. Eu sou muito mais do que isso, eu sou um ser humano que têm sentimentos, mas que esperou durante toda a vida, que seu marido a enxergasse como um ser inteligente e não simplesmente, como uma administradora do lar.

Casei sem amor, mas o carinho por você foi surgindo aos poucos. Demorei muito tempo para esquecer minha ilusão de menina, que me casaria e seria feliz para sempre. Mesmo sem amor, joguei as minhas expectativas nas suas costas, como se você tivesse a obrigação de me fazer feliz, puro engano!

É incrível, mas descobri que a obrigação e responsabilidade sobre a minha felicidade, estão nas minhas mãos e não nas suas, talvez nas mãos de Deus a quem não cabe também, fazer a minha parte.

Li em algum lugar, “que a vida é um sorriso entre duas lágrimas”, mas chegou o momento de parar de chorar e reagir, caminhando a favor da vida e não contra ela. Percebi o quanto é importante eu ouvir os meus próprios sentimentos, o quanto é importante o meu auto-respeito e isso requer a minha negativa verbal, no aqui e agora, em relação as suas desculpas profissionais que se estendiam até a madrugada e tinham outro nome, que para mim, transformaram-se em “feridas”.

Eu nunca me senti feliz, apenas bloqueei durante uma vida toda minha criatividade, minha alegria e minha evolução! Carros, jóias, dinheiro, status, viagens, não foram capazes de me preencher a alma e durante todos esses anos, essas foram as únicas coisas que recebi de você. E Irene continuou:

─ Após nossa conversa daquele dia, fiquei de pensar e dar-lhe uma resposta. Alencar disse que nesse momento, seu coração disparou e chegou a pensar que fosse saltar pela boca, correndo a perguntar:
– E qual decisão você tomou Irene?

Decidi que se houver respeito da sua parte pela minha pessoa, como um ser pensante, sem que você me julgue uma alienada em meio a seus deslizes, poderemos tentar recomeçar, mas de outra forma.
Começo por informá-lo que prestei vestibular e passei, vou estudar.

Também contratei uma arquiteta para elaborar um projeto, que me sirva de atelier e galeria de exposição para meus quadros e de outros pintores iniciantes. Farei eventos ligados a arte. E ainda alerto, que ao menor sinal de falta de respeito para comigo ou de falta de comprometimento com a nossa decisão, caso você queira tentar assim como eu, e não o desejarei por perto, nem como amigo.

Por um instante, fiquei imóvel e muito surpreso. Ela nunca havia se posicionado em relação a nada, sempre concordava com tudo. É fato que me senti um pouco pressionado por aquela mulher, que apesar de tanto tempo juntos, eu desconhecia existir. Meu ego de homem se inflou por segundos, ao sentir aquela imposição, tipo… é isso ou é isso. Mas confesso que me deixei render por aquela beleza nunca vista antes e por aquela determinação!

Alencar olhou para o relógio e foi logo se justificando:
– Me perdoe pelos trajes mas hoje marquei de caminhar no parque com a Irene e se não quiser me atrasar, tenho que sair agora. Até a próxima semana! Eu respondi: – Até!

Fiquei por alguns momentos sentada, olhando para o nada e a pensar: Como Deus é maravilhoso ao dar o tempo para que as pessoas revejam suas atitudes e reatem laços!

Se você ainda não viu o primeiro episódio, clique aqui:
Constatei também com minha vivência e experiência profissional, que quem não se respeita e não se ama não consegue manter um relacionamento, por amor. Por isso, caso você se sinta sózinho(a) para essa jornada e necessite de ajuda profissional, poderá contar sempre comigo.

E ainda, se você quiser conhecer como eu ajudei o Alencar nesse processo de auto conhecimento, clique aqui

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Continue acompanhando essa surpreendente trajetória! Te espero no próximo Artigo! Capítulo 16 – Inovando o plantio – Até lá!!

Capítulo 15 – Encarando a verdade com ternura
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