Capítulo 2 – A caminho da cura

Tempo de leitura: 4 minutos

A confiança de Alencar junto ao nosso trabalho foi sendo conquistada aos poucos. Aquela era uma tarde chuvosa de março e o céu, parecia mais nublado e cinzento do que nunca e de vez em quando, o vento trazia o ruído do balanço das folhas.

Naquele dia em especial, ele se encontrava com o olhar perdido em algum ponto da parede cor de marfim, até que cortei o silêncio com a seguinte pergunta: ─ Sr. Alencar qual o seu sonho? Ele me olhou surpreso e indignado ao mesmo tempo, esboçou um sorriso irônico e respondeu:
─ Sonho? A Dra. vem me falar de sonhos no estado em que me encontro? Ao que prontamente respondi:

─ Pode me chamar de Silvia, Sr. Alencar e ele prontamente: ─ Ok, pode me chamar de Alencar. Novamente tornei a falar: ─ Se você me procurou é porque deseja realizar mudanças e normalmente, mudanças partem de um sonho e, quando o alcançamos, partimos em busca de outros desafios, pois a vida é movimento.

Já com um olhar mais sereno e uma expressão de grande interesse na conversa, ele começou a dizer: ─ Eu não sei se isso que você diz é verdade, porque nunca parei para pensar sobre isso. O que sei é que o desânimo em viver se tornou algo insuportável, atingindo com maestria todas as áreas da minha vida. Nesse momento, decidi lhe contar uma estorinha.

“Havia dois sapos, um pulava ao longo de um profundo sulco feito por um trator. O outro o vê naquele buraco e grita: “Ei! O que você está fazendo aí embaixo? Está muito melhor aqui em cima; tem muito mais alimento”.
O outro sapo olha para cima. “Eu não consigo sair daqui.”
“Deixe-me ajudá-lo, diz o segundo sapo. “Não. Deixe-me em paz, eu estou bem. Tenho muito alimento aqui embaixo para mim.”
“Está certo”, disse o segundo sapo. “Mas há muito mais espaço disponível aqui em cima para explorar e se locomover.”
“Eu tenho todo o espaço que necessito neste buraco.”
“E que tal conhecer outros sapos?”
“Eles descem aqui de vez em quando, senão eu posso gritar para meus amigos aí de cima.” O segundo sapo dá uma espécie de suspiro e prossegue saltando. No dia seguinte, ele fica surpreso ao ver o primeiro sapo pulando ao lado dele.
“Ei”, ele grita. “Eu pensei que você tinha permanecido naquele sulco. O que aconteceu?”
“Vinha vindo um caminhão”.

Alencar ainda parecia inebriado com a estória, foi aí que eu disse: ─ As vezes é preciso um caminhão, para nos mover do mesmo lugar. Reflita sobre a possibilidade de ser cada dia mais feliz, lendo com antecedência os sinais camuflados que a vida te coloca. O desânimo e as desventuras o trouxeram até aqui, esse é o nome do seu caminhão, que carregou em seu bagageiro todas as probabilidades de você se auto conhecer, se auto apoiar e principalmente, se parabenizar em procurar ajuda para sair desse estado de ânimo e de situação.

─ Hahahaha… se eu chegar no escritório ou em casa e disser isso pra alguém, tenho certeza que irão me internar em um hospital de loucos. Quem vai acreditar em mim? Você me entende? Eu respondi:
─ Claro que eu entendo, mas é você quem precisa acreditar que o Universo colocou a sua frente, problemas para que você os superasse e para que você aprendesse a se amar incondicionalmente. A única felicidade de imediato com a qual você pode e precisa se ocupar, é com a sua.
Nesse momento presente, essa é a sua realidade. Esse é o caminho da cura.

Deixei claro também que toda mudança é gradativa, que ainda poderia haver momentos de tristeza, mas uma vez feito esse movimento, não haveria retorno para piora do quadro atual e caso houvesse, seriam nuances passageiras. Ele se mostrou entusiasmado, seus olhos pareciam brilhar novamente e propus que em nosso próximo encontro, ele trouxesse por escrito todos os sinais que já recebeu ao longo da vida, que o desgastou, mas que na época, estava desatento.

Ali terminava nossa sessão e ele me disse: ─ Tentarei olhar para a realidade dessa forma, tirando das dificuldades os aprendizados, pra que eu me torne um ser humano melhor pra mim e, em consequência, para os outros. Já escurecia quando Alencar se foi e eu, fiquei ali refletindo sobre o quão gratificante é o meu trabalho.

Este artigo faz parte de uma sequência de episódios que vou continuar a compartilhar com você. Junte-se a nós e acompanhe a surpreendente trajetória do Alencar, ao descobrir no próximo capítulo com qual realidade ele vivia. Se você ainda não viu os episódios anteriores, clique aqui:

Constatei também com minha vivência e experiência profissional, que é importante você não se sentir sózinho(a) para essa jornada. É por esse motivo que caso necessite de ajuda profissional, poderá contar sempre comigo, ou deixar seu comentário abaixo, será um prazer respondê-lo(a). E não se esqueça que para receber as atualizações do blog, é só preencher com seus dados aqui abaixo e clicar no botão assine já.

Te espero no próximo Artigo –   Capítulo 03 – Da imaginação à realidade

Capítulo 2 – A caminho da cura
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2 Comentários


  1. Muito boa historia, trazendo aprendizado, que nao conhecemos ou esquecemos.

    abs.

    Responder

    1. Boa tarde Ubirajara!

      Gratidão pelas palavras de incentivo, ao meu trabalho.
      Abraços

      Responder

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