Capítulo 3 – Da imaginação à realidade

Tempo de leitura: 5 minutos

Um novo Alencar surgia na minha frente naquele dia da sessão. Estava sorridente, bem arrumado e parecia estar de bem com a vida. Sentou-se a minha frente e começou a relatar como havia sido sua semana, desde nosso último encontro. Disse que se comprometeu na busca da sua melhora e decidiu que para alcançar esse intento, seria necessário estar disposto a aprender uma nova forma de viver.

Esbocei um sorriso e questionei sobre o “medo”, ao que ele prontamente respondeu: – Analisei com cuidado nossa conversa e concluí que sentindo medo ou não, os acontecimentos diários estarão presentes porque estou vivo, então, ou aprendo a superar ou me acabo em drama e estagnação.
– E como foi fazer sua lição de casa para nossa sessão?

– Sabe Silvia eu fiz, mas não escrevi nada. Comecei a relembrar de alguns acontecimentos e por inúmeras vezes, me peguei com lágrimas nos olhos, mas aprendi com meu pai que homem não chora e confesso, que isso me deixou um pouco chateado. Será que a idade faz isso com a gente?
Respondi: – Se emocionar a ponto de chegar as lágrimas, não é um problema. Esse é um ponto de vista do seu pai, não precisa ser o seu se você não quiser que seja.

Naquele momento um profundo silêncio inundou a sala, apenas ouvíamos o cantar dos pássaros. Foi então que Alencar disse: – Vou lhe contar, eu devia ter uns onze ou doze anos e meu pai tinha uma fazenda no interior de Minas Gerais. Naquele dia, os empregados tinham colocado o café no terreiro para secar e a noite, tínhamos que cobrir para que não pegasse o sereno da madrugada. Eu e meu irmão éramos encarregados de fazer essa tarefa no final do dia.

Acontece que meu tio passou na fazenda e disse que ia me levar para dormir na casa dele, eu tinha meus primos lá e adorei a idéia e fui, sem pedir para meu pai que estava na lavoura.

Meu irmão ficou com raiva porque tinha que cumprir a tarefa por nós dois e foi assim, que ele decidiu cobrir só a parte que era dele e deixou a minha parte, descoberta. O resultado disso, é que meu pai perdeu a qualidade do café que ficou descoberto. Levei uma surra que me lembro até hoje e ainda ouço meu pai dizendo: – Você nunca será nada na vida seu moleque irresponsável, incompetente, vagabundo!!

E ainda incentivou os peões da fazenda a rirem de mim. Até hoje, quando saio para trabalhar, ainda ouço as palavras dele no meu ouvido, parece que sinto a surra em meu corpo e vejo as pessoas rindo de mim!

Sua voz estava embargada, suas mãos tremiam e transpiravam copiosamente. Novamente ficamos em silêncio e eu disse: – Alencar você não é mais aquele menino de onze ou doze anos e com certeza o seu pai, não tem mais o mesmo conceito a seu respeito, ele falou sem pensar, estava com raiva e provavelmente, ele seguiu apenas o modelo com o qual ele foi criado.

Esse pensamento ainda gera um sentimento negativo, mas você pode direcionar esse sentimento e incluir a “gratidão” como uma ferramenta capaz de te conduzir por um caminho de realizações, inclusive a profissional. Foi toda essa bagagem, que fez com que você se tornasse o empresário que é hoje, você nunca foi irresponsável, incompetente ou vagabundo, você era apenas uma criança e precisa se perdoar e perdoar ao seu pai, pelo que aconteceu.

Não se esqueça que a sua vida é uma tela em branco, você tem a oportunidade de desenhar e colocar ali, as cores que  quiser.
Ao pensar no ocorrido, você revê imagens internas, ouve os sons, dialoga consigo mesmo e têm as mesmas sensações e sentimentos de dor e pesar.

Ao pensar no ocorrido, você revê imagens internas, ouve os sons, dialoga consigo mesmo e têm as mesmas sensações.

Mas não se esqueça, você não está mais lá, você está no aqui e agora e essas lembranças, só irão tomar forma com o seu consentimento. Esteja atento ao que você pensa, sente e faz!

Estamos em um processo de autoconhecimento, vamos em frente. Alencar que estava de cabeça baixa, arrumou sua posição na cadeira e respondeu:
– É… esse negócio de autoconhecimento…bom eu vou pensar sobre tudo isso, porque nunca tive coragem de contar pra ninguém, só as pessoas da minha família é que sabem.

Está certo, ficar no aqui e agora, eu não estou mais lá! Bem vou indo, acho que passei um pouco do horário. Despediu-se e foi embora.
Eu novamente fiquei ali, refletindo sobre o quanto permitimos que o nosso passado esteja presente nos nossos dias atuais!

Este artigo faz parte de uma sequência de episódios que vou continuar a compartilhar com você. Junte-se a nós e acompanhe a surpreendente trajetória do Alencar, ao descobrir no próximo capítulo com qual realidade ele vivia. Se você ainda não viu os episódios anteriores, clique aqui:

Constatei também com minha vivência e experiência profissional, que é comum para algumas pessoas, viverem do passado. Por esse motivo, caso você se sinta sózinho(a) nessa jornada e necessite de ajuda profissional, poderá contar sempre comigo, ou deixar seu comentário abaixo, será um prazer respondê-lo(a). E não se esqueça que para receber as atualizações do blog, é só assinar a minha newsletter.
Te espero no próximo Artigo – Capítulo 04 – No mundo real… Até lá!

Capítulo 3 – Da imaginação à realidade
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7 Comentários


  1. Show!!!!🌞🌞🌞🌞aguardando o próximo ansiosamente🙋🏻‍♀️🙋🏻‍♀️🙋🏻‍♀️🙋🏻‍♀️🙋🏻‍♀️🙋🏻‍♀️

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  2. Bom dia,
    Lição de casa, essa tarefa ajuda muito. Me recordo que ouvi a mesma coisa a alguns anos atrás de você.
    Como foi gratificante e impactante para mim esta frase.
    Agradeço pelo ensinamento recebido.
    Sucesso!!!

    Responder

    1. Marcos, fico muito feliz em saber disso!
      Você fez e faz nosso trabalho em conjunto,
      ter valido muito a pena!
      Gratidão sempre!

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  3. Interessante como o medo nos faz perder grandes oportunidades. As vezes eu acho que o medo é viciante, assim como o álcool e temos que aprender a viver sem ele, um dia de cada vez, superando e vencendo. E como é bom, viver sem medo!!!!! 🙂 Obrigada.

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