Capítulo 5 – Quem é você no mundo

Tempo de leitura: 6 minutos

O novo pode até assustar, mas é comprovada a felicidade de qualquer pessoa, que se supera ao enfrentar os obstáculos e parte rumo à ação. Alencar chegou com antecedência e disse que precisava de uns minutos, para avaliar sobre o que iríamos tratar naquele dia. Aguardei e ele disse:

– Pensei muito sobre nossa última sessão, não consegui colocar tudo em prática porém, confesso que estou surpreso com alguns resultados que já percebo serem consequência da minha atitude consciente. Pela primeira vez na vida, chamei meus três filhos e disse que precisava conversar, são dois rapazes e a menina caçula e esse final de semana, fomos a uma sorveteria no shopping onde abri meu coração.

Conforme eu ia falando com eles, sentia que meu coração acelerava e desacelerava ao mesmo tempo e que as palavras fluíam com dificuldade, mas fluíam e precisavam ser ditas.

Eu ouvia tudo atentamente e ele prosseguiu, dizendo que falara aos filhos sobre as dificuldades no casamento, sobre a dificuldade que tinha em se expressar e sobre a idéia fixa de que ninguém gostava dele, por parecer que fazia tudo errado e que a única coisa perfeita que sabia fazer na vida, era ganhar dinheiro. Dissera que os filhos de 28, 25 e 21 anos o olharam como se ele fosse um E.T. e que o silêncio, imperou naquela mesa por alguns minutos que pareceram séculos. De repente, os três começaram a falar ao mesmo tempo e ele, os ouviu atentamente.

Alencar disse que a única reação que teve foi a de desculpar-se, por não ter conversado com eles há mais tempo e explicou, que fez o melhor que sabia e o quanto os amava. Segundo suas palavras, aquele gesto foi um divisor de águas porque desde aquele sábado, mesmo sem encontrá-los por causa dos horários que não coincidiam, eles mandavam uma mensagem pra ele, ou ele mesmo, ligava para os filhos.

– Sabe Silvia, estar no mundo real não é uma tarefa fácil, porque inconscientemente, sempre foi gratificante não me responsabilizar por mim e credenciar as minhas falhas a terceiros. Não sou o que eu penso, não sou o meu comportamento, então quem sou eu no mundo? Antes que ele mudasse de assunto, respondi:

– Alencar você não pode confundir o que você faz, com quem você é. O comportamento muitas vezes exprime uma forma de estar naquele momento e não de ser. Se faz algo bobo, não significa que seja bobo. Cada um tem a sua forma de percepção de mundo embora tenhamos que assumir nosso papel, diante da sociedade e das outras pessoas: como pai, mãe, na profissão e etc.

È importante entender qual é a sua percepção de mundo, porque qualquer estímulo interno como um pensamento ou externo, como uma palavra, gesto ou um fato que esteja acontecendo no meio ambiente, é capaz de desencadear sensações em nosso organismo e pensamentos em nossa mente.

Através desse mecanismo, temos associados aos nossos próprios recursos, condições de interpretar o que os nossos sentidos tentam nos dizer através do sistema básico, composto pela visão, audição e sinestésico, mas no presente caso, é o sinestésico que nos interessa e não importa quão irracional ou espiritual isso possa parecer, porque precisaremos de alguma inteligência divina e amorosa que nos conduza pelo caminho. Alencar moveu-se na cadeira e perguntou:

– A propósito lembro que ao sair do consultório na primeira consulta, você disse que conversaríamos sobre as minhas dores no corpo. Estou com dor de cabeça há dias, acordo com ela, fui ao oftalmologista como me sugeriu, fiz os testes e exames, troquei as lentes do óculos para leitura e continuo igual. A dor no estômago melhorou muito, só incomoda de vez em quando, mas a dor nas costas, ahhh essa me mata. Eu não imaginava que para me entender e para resolver minhas questões de saúde, eu tivesse que entender de “sinestesia” e de inteligência divina.

– Alencar não somos uma máquina composta de peças separadas, cada uma ocupando um espaço diferente em outros locais. Somos uma engrenagem repleta de órgãos, que ocupam o seu espaço determinado no mesmo corpo.

– Sabe Silvia esses dias fiz algo que não fazia há muito tempo, eu rezei e pedi muita coragem e discernimento, para que tudo desse certo ao conversar com os meus filhos e foi como se uma paz tivesse tomado conta de mim. Confesso que no início foi complicado, mas depois a conversa fluiu como nunca havia acontecido. Após uma pequena pausa, eu disse:

─ Fico muito feliz por você Alencar, é muito bom sentirmos que não estamos sozinhos e que somos ouvidos, porque a força amorosa e amparadora que o sustentou e encorajou até aqui, independente do nome que tenha, que pode ser Deus, Buda, Jeová e assim por diante, está em ação. É importante compreender que de alguma forma esta força divina está viva e que você está exatamente onde deveria estar e que ainda, com essa forma de se ver e de ver o mundo, sua fé será encorajada, sua confiança será cada dia maior e com a gratidão, seu otimismo será restabelecido.

Sua vida está em movimento, tal qual a água segue o seu ritmo na correnteza do rio, você está aberto e pronto para o aprendizado. Parabéns pela sua coragem em seguir adiante, refletindo sobre questões que nunca tinha pensado e por colocar nossa vivência em consultório, em prática na sua vida. Alencar arrumou-se na cadeira, deu um leve suspiro e disse:

─ Entendi que é preciso ter muita coragem para se olhar no espelho e ver quem eu realmente sou e foi mexendo nesse arquivo morto, que descobri que estou vivo e que ainda tenho chance de ser um pouco melhor como pessoa e ainda, tentar seguir em direção a dias mais felizes. Disse isso e saiu apressado, tinha uma reunião. Naquele momento senti que ele estava dotado da palavra mágica chamada “esperança”!

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Constatei também com minha vivência e experiência profissional, que o mundo real pode ser assustador e maravilhoso ao mesmo tempo e que pode não ser algo fácil, principalmente se você se sentir sózinho(a) para essa jornada. É por esse motivo que caso necessite de ajuda profissional, poderá contar sempre comigo, ou deixar seu comentário abaixo, será um prazer respondê-lo(a).

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Continue acompanhando essa surpreendente trajetória! Te espero no próximo Artigo!   Capítulo 06 – Sua vida conjugal – Até lá!!

Capítulo 5 – Quem é você no mundo
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2 Comentários


  1. Olá, Silvia. Estou gostando bastante da história do Alencar. Quantos Alencares existem por aí ou mesmo dentro da gente, né?
    Percebemos coisas do nosso ponto de vista, muitas vezes incorreto.
    Acho que falta conversar, esclarecer coisas que nos incomodam. Pois cada um tem suas verdades e precisamos entender a verdade de quem nos acompanha também… difícil na prática, mas possível.
    Bom, fico no aguardo do próximo capítulo.

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    1. Boa tarde Regina!

      É exatamente isso, entender que de acordo com a cultura, crenças
      e educação, cada um tem a sua verdade. O diálogo é a única forma
      de chegarmos a um denominador comum! Gratidão!

      Responder

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