Capítulo 6 – Alencar e sua vida conjugal

Tempo de leitura: 6 minutos

Você comprovadamente consegue um resultado positivo de seu empenho na vida, quando tem atitudes amorosas com você mesmo. Era noite quando Alencar chegou para sua sessão, foi sentando-se rapidamente e dizendo:

─ Hoje não pretendo perder um minuto sequer, preciso entender várias coisas, mas vou iniciar por algo que julgo ser de maior importância, finalmente conversei com minha esposa. Já tínhamos exatos trinta anos de casados e só percebi agora, o quanto a vida passou rapidamente diante dos meus olhos, sem que eu me desse conta disso.

Comecei dizendo à ela, que sabia que nossa vida não tinha sido fácil, que não nos casamos por amor mas que eu procurei fazer o meu melhor para que vivêssemos bem e nunca, nunca mesmo, senti da parte dela o mesmo carinho pelo menos, ou atenção. Perguntei também se ela estava feliz e que eu, havia descoberto que ainda podemos fazer algo por nossas vidas e que eu, não sairia dali sem uma resposta. Eu casei com vinte anos e ela com dezoito.

Ela me olhou com um misto de espanto e ironia, calei-me e fiquei aguardando que dissesse alguma coisa porque eu não ia admitir sair dali, como aconteceu outras vezes. Nesse instante ela me olhou bem fundo nos olhos e começou a dizer:
─ É verdade que durante esses trinta anos você até tentou me agradar do seu jeito, me convidando para viajar de vez em quando com você a negócios ou em viagens de férias, com as crianças.

Você estava sempre distante, quando eu falava de algo que tinha acontecido em casa, fosse com as crianças, com empregados ou com a nossa família e principalmente comigo, você também era evasivo. Dava respostas curtas, sim ou não ou ainda, vou pensar e acabava a conversa.

Você cobra de mim algo que também nunca me deu, carinho porque o seu carinho sempre foi aquilo que o dinheiro podia comprar, como jóias por exemplo. Mas eu não queria jóias, roupas caras, restaurantes finos, viagens, eu trocaria tudo isso, para me sentir amada. Lembro perfeitamente as suas saídas a jantares de final de ano com clientes e ao voltar na ponta dos pés, tomava seu banho e já colocava imediatamente sua roupa no cesto, coisa que no dia-a-dia, você não fazia.

Sou mulher e depois que você dormia, eu ia na ponta dos pés olhar sua camisa que exalava sempre o mesmo perfume de mulher e as vezes, manchada no colarinho por maquiagem. Foi nesse momento, que quase desmaiei, perdi o fôlego, abaixei minha cabeça… ela sabia de algumas ou de todas as vezes que menti e fiquei, profundamente envergonhado. Ela continuou a falar e eu, fiquei em silêncio e se pudesse, abriria um buraco no chão e entraria nele:

─ É fácil cobrar diálogo e atenção de uma mulher que casou sem amor e você sabe porquê? Porque naquela época eu era apaixonada por outra pessoa e você sequer perguntou, se era realmente aquilo que eu queria. Eu por minha vez, nunca tive coragem de dizer e preferi acreditar que aquele era meu destino, aceitar a imposição dos meus pais, depois do marido e criar meus filhos que só tinham a mim, pois você nunca participou da educação deles, sempre dizia que precisava trabalhar, então por favor, não venha me cobrar nada, você teve as amantes que quis, deveria se sentir feliz por isso e começou a chorar convulsivamente.

Era cruel demais pra mim ouvir tudo aquilo, mas ela tinha razão e eu, não tinha argumentos. Minha cabeça fervia e eu precisava dizer alguma coisa, foi aí que me recompus, passei as mãos em seu ombro ao que ela se esquivou e só consegui pedir perdão, pelas dores que eu havia causado. Tentei argumentar que casamos muito jovens e que ambos fizemos a vontade de nossos pais, mas que poderíamos ainda decidir nos separar se ela quisesse, haja visto, a infelicidade que reinava entre nós.

Novamente houve um silêncio e ela disse que precisaria pensar sobre a nossa conversa. E foi isso o que aconteceu Silvia. Minha pergunta foi: ─ E como você está se sentindo agora Alencar?

─ Me sinto aliviado por ter falado e ao mesmo tempo, confuso, angustiado, culpado, com raiva de mim por achar que eu era “o cara” sensacional e ela, não me dava o mínimo valor. Até pensei em dizer que ela ficou comigo porque quis e que se casou porque quis também, mas não tive coragem, porque o mesmo aconteceu comigo, nós nos acomodamos, cada um em seu mundo e do seu jeito. A verdade é que depois de saber que ela era apaixonada por outra pessoa, antes de se casar me fez sentir um idiota, um trouxa e um cara enganado, você me entende?

O pior é que minhas dores de estômago voltaram com força total, tive muita dificuldade em dormir e ainda, não consegui sequer fazer uma prece. Terminei por pensar que na verdade, não sou uma pessoa que tenha nascido para sentir felicidade, acho que nasci só para trabalhar e ter dinheiro e a essa altura da vida, do que vale tudo o que fiz? Do que vale ter me empenhado tanto se a única coisa que dei pra ela foi conforto e dinheiro e, em contrapartida, só recebi indiferença e rejeição. Ele abaixou a cabeça e chorou copiosamente, eu aguardava em silêncio.

Ao se recompor eu disse: ─ Alencar acredite que tudo nessa vida tem uma razão de ser. Vocês dois eram muito jovens, distantes também de uma reconexão divina que desse um verdadeiro sentido às suas vidas, ao que ele retrucou:
─ Hoje estou com meu tempo curto, ainda tenho um jantar de negócios e se não fosse isso, eu dobraria a sessão, caso não houvesse mais clientes a serem atendidos. Na próxima, vou mostrar que você está errada em pensar isso.

─ Ok Alencar, em nossa próxima sessão recomeçamos daqui. Ele saiu apressado e um tanto que perturbado. Lamentei não intervir antes, senti meio que uma sessão incompleta, mas ele precisava falar. Naquele momento apenas agradeci a Deus, porque é ele que sabe de todas as coisas!

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Constatei também com minha vivência e experiência profissional, que durante algum tempo sabotamos os nossos sentimentos e abafamos a dor, por medo de um diálogo sincero, por medo de sair da zona de conforto.

Você pode se sentir sózinho(a) para essa jornada e é por esse motivo, que caso necessite de ajuda profissional, poderá contar sempre comigo, ou deixar seu comentário abaixo, será um prazer respondê-lo(a). E não se esqueça que para receber as atualizações do blog, é só assinar a minha newsletter.

Continue acompanhando essa surpreendente trajetória! Te espero no próximo Artigo! Capítulo 07 – Conexão divina – Até lá!!

Capítulo 6 – Alencar e sua vida conjugal
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2 Comentários


  1. Fiquei pensando com esse capítulo… o quanto perdemos ou deixamos de ganhar, por causa do medo de falar? e olha o medo ai de novo! Aprendendo.. e refazendo algumas lições de casa junto com o Alencar! Gratidão.

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